5 pratos para entender o México

É impossível se aventurar na tarefa de entender um lugar sem entender primeiro sua comida. Tantos costumes, tradições e folclore giram em torno da gastronomia que fica impossível separá-los da sociedade da qual fazem parte. E o México, claro, não é exceção. Como poderíamos entender o México e os mexicanos sem entender o taco?  Como explicar o México colonial sem o mole ou os chiles en nogada? Simplesmente impossível.

Por isso, hoje, no mês mais mexicano do ano, queremos compartilhar com nossos hóspedes um pouco da nossa cultura por meio de 5 pratos típicos mexicanos sem os quais nosso país é praticamente incompreensível.

1. Chiles en nogada

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Chiles en nogada, a tradição do México

O prato tradicional desta época no nosso país são estas famosas pimentas recheadas. De origem incerta, há pelo menos duas lendas sobre seu surgimento. A mais conhecida conta como as madres agostinianas do convento de Santa Mónica, em Puebla, criaram o prato para homenagear o exército trigarante de Agustín de Iturbide em sua passagem pela cidade, usando as cores da bandeira desse exército e dando cor a este representante da nossa cultura. A segunda, mais romântica, é descrita pelo famoso escritor Artemio de Valle-Arizpe, que relata que nesse mesmo exército havia três soldados cujas namoradas moravam na cidade. Emocionadas pela Independência e pela volta em segurança de seus amados, decidiram criar um prato para homenageá-los. Cada uma escolheu um ingrediente representando as cores do exército e de sua bandeira e, encomendadas à Virgem do Rosário e a São Pascoal Bailão, puseram-se a cozinhar, dando origem a este prato único, representante inequívoco da nossa história e da nossa tradição.

Prepare seus próprios chiles en nogada:

2. Mole

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O tradicional mole poblano, uma receita que conta a história do México

A origem deste prato, reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural da humanidade, é anterior às origens do nosso país: os primeiros dados que se pode reunir sobre ele vêm da Historia General de las Cosas de la Nueva España, de frei Bernardino de Sahagún. Usado como prato-oferenda a Montezuma, era conhecido pelo nome de chilmulli ou chilmole (molho de pimenta) e servia para acompanhar carnes como a do guajolote (peru), a do xoloitzcuintle ou a da iguana. Com o passar dos anos e dos séculos, o prato mudou muitas vezes, sendo a versão mais famosa a do mole poblano — cidade que, como se vê em suas receitas, está intimamente ligada não só à história política e militar do nosso país, mas também à sua história gastronômica, sem a qual seria impossível compreender o nosso México.

Conheça a receita do tradicional mole poblano:

3. Tacos

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Tacos, a comida do México

A história do taco, como a da maioria das expressões culturais e gastronômicas surgidas antes do choque entre as culturas hispânicas e pré-colombianas, é difusa. Ainda assim, parece ter origem em épocas pré-hispânicas: por ser um prato simples de transportar num itacate, tornou-se popularíssimo, porque facilitava que as mulheres levassem essa comida para o campo. Também fácil de comer no campo, é bem provável que os tacos, ou seus precursores pré-hispânicos, usassem carne de guajolote (peru) e de xoloitzcuintle, dois dos animais domesticados pelas sociedades indígenas da época. É possível ainda que em outras regiões, como Oaxaca, se consumissem os tacos de chapulines (gafanhotos), iguaria exótica que hoje se popularizou ao lado da bebida tradicional oaxaquenha, a mezcal.

Receita de tacos al pastor:

4. Cochinita pibil

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O sabor da península

A cochinita, prato emblemático e tradicional da península de Yucatán, tem origem mestiça. Diz-se que a península foi o primeiro lugar do México onde se conheceu a carne de porco, daí a origem de alguns pratos tradicionais da região, como o feijão com porco ou a própria cochinita. O termo “pibil” designa uma técnica de cozimento e vem da palavra maia “pib”, que significa enterrado. Ou seja: é uma técnica que consiste em enterrar a comida em um buraco cavado na terra, no qual se coloca lenha de árvores locais, como o catzim e o habim. Acende-se o fogo no buraco e, quando a lenha se consome e as pedras estão em brasa, depositam-se uma a uma as folhas de bananeira que envolvem a carne de porco ou de frango.

Conheça a receita original da cochinita:

5. Pozole

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sabores pré-hispânicos que perduram

O pozole é outro prato de origem pré-hispânica que se come no nosso país até hoje. Este caldo à base de milho tem sua origem no náuatle — a palavra significa “espuma” —, porque é preparado com grãos de um milho especial chamado cacahuazintle, que ficam duas horas em pré-cozimento numa solução de água com óxido de cálcio. Assim, os grãos perdem a casca fibrosa que os cobre e, quando fervem, abrem-se como flor, o que lhes dá aparência de espuma.

Aparentemente, a origem pré-hispânica deste prato remonta aos sacrifícios humanos que os astecas ofereciam a suas divindades, nos quais o prato seria feito com a carne humana dos vencedores do famoso jogo de bola. Bernal Díaz del Castillo, o grande cronista da colônia, comenta em sua obra Historia verdadera de la Nueva España: “Dizem que Montezuma come carne humana, mas eu nunca vi”. Seja qual for a verdadeira origem, hoje o prato é servido com uma mistura de ingredientes europeus e asiáticos, como carne de porco, alface e especiarias.

Prepare hoje um pozole tradicional mexicano:

Como se percebe na história de cada um destes pratos, a história do México é cheia de fusões, de histórias milenares, de ingredientes que vêm de todas as partes do mundo. É assim o nosso país: uma terra de mestiçagem.

Que outro prato você considera típico da gastronomia mexicana? Com qual prato você identifica o nosso país? Conte para a gente nos comentários, adoraríamos saber o que você pensa.

Foto de Carlos Salgado

Carlos Salgado | Sobre o autor

Fuera del mundo corporativo, desarrollo una escritura underground única que explora los territorios ocultos entre la tecnología, la consciencia y los misterios que la ciencia aún no comprende. Mis textos circulan en espacios alternativos, tejiendo narrativas que conectan el código digital con las fuerzas invisibles que mueven el mundo. Presencia visible: https://jcarlossalgado.com. Lo invisible permanece en las sombras

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